Caio Martins amanhece sangrando

 

Na manhã deste sábado, os moradores de Niterói que passavam pela Roberto Silveira foram surpreendidos por uma intervenção popular na entrada do Estádio Caio Martins. A entrada do estádio amanheceu coberta de vermelho no chão e nas paredes, onde cartazes e faixas foram estendidos sobre as grades do antigo estádio do Botafogo. Poucos sabem que o Caio Martins foi o primeiro estádio de futebol da América Latina a ser utilizado como presídio político, logo após o golpe militar de abril de 1964. Fotografias foram espalhadas pela entrada principal, para relembrar os mortos e desaparecidos da cidade, e uma grande faixa reivindicando que um Memorial da Resistência seja construído no local. O estádio, que será adquirido pela Universidade Federal Fluminense (UFF), irá receber no próximo dia 4 uma cerimônia do Estado do Rio de Janeiro de pedido oficial de desculpas para àqueles que foram perseguidos durante a ditadura. A presidenta Dilma Rousseff será uma das homenageadas, mas ainda não confirmou presença no evento.

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2 respostas para Caio Martins amanhece sangrando

  1. Anna Gurgel disse:

    Tivemos amigos que ficaram presos no Caio Martins mas a História Maldita custou a tomar um volume capaz de ser explicitamente manifestada! Foram 49 anos…de lembranças que jamais se apagaram da vida daqueles que foram vítimas da truculência da Ditadura!!!

  2. Os fatos , as fotos e o conteudo, desta ação, me libertam da sensação de falar ao vento, de ser depositário quase único de lembranças que todos devem partilhar. Aos quatorze anos de idade, vi minha rua, meu bairro minha cidade em polvorosa com boatos, cada um mais terrível, com casos de prisões fugas torturas e ameaças. Vi os portões do Ginásio Caio Martins cheio de pessoas(a maioria mulheres), umas apreensivas,outras chorosas e algumas desesperadas, todas a procura de informações sobre familiares que poderiam estar presas la dentro.
    Eu e meus colegas de rua fomos recrutados, por um vizinho operário naval, para lançar sobre os muros do estádio, pacotes com alimentos porque seus colegas presos estavam passando fome.
    São imagens de uma memória que as palavras não podem descrever.
    Quando falo dessas lembranças até historiadores me olham como se eu estivesse falando de marte e não de Niterói esta cidade tão atingida a partir daquele abril de 1964.
    Muito obrigado por fazerem essa intervenção popular.

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