Lyda Monteiro da Silva

Lyda Monteiro da Silva completava 43 anos de serviços na OAB quando foi morta pelo terrorismo de Estado, no próprio local de trabalho, em 27 de agosto de 1980.

À época, a OAB e seu Conselho Federal, então sediado no Rio, enfrentavam corajosamente a ditadura militar, nomes ilustres da advocacia brasileira constituíam o Conselho.

Na OAB, Lyda havia começado a trabalhar aos 16 anos de idade. Contava que sua mãe lhe dera 400 réis para a barca de Niterói e uns trocados para almoçar…

Foi assassinada quando se preparava para requerer licencia prêmio e a aposentadoria, sempre adiada por seu amor à Instituição. Autodidata, atualizava-se constantemente nos assuntos relativos ao seu ofício. Lyda era sensível, bem humorada e de memória prodigiosa. Foi o braço direito da Presidência e dos Conselheiros da Ordem. Era a memória de quarenta anos de serviço. Gostava de presentear os amigos com pequenos textos, ora alegres, ora comoventes. Gostava de música, acreditava em Deus, amava as flores, era gentil e querida por todos. Seus 25 anos no cargo foram celebrados no Conselho Federal, ocasião em que Prado Kelly, que o presidia, afirmou:

“São os Conselheiros, por minha voz, que vêm dizer-lhe o quanto se mostram reconhecidos pelo seu meritório esforço e são ao mesmo tempo os seus colegas de trabalho que lhe auguram outro quarto de século fazendo preces a Deus para que não lhe falte saúde, capaz de resistir aos agravos do tempo, nem a fé nos destinos da Ordem, a confiança em sua missão, altamente representada, em todos os tempos, na vida nacional”.

Muito mais, infinitamente mais do que um quarto de século, Lyda deu a OAB sua vida. Morreu nos lodos subterrâneos da ditadura, como qualquer um de nós poderia ter morrido, porque ninguém está inteiramente imune quando impera a impunidade e o crime.

No Brasil, vivíamos o fatal encadeamento dos fatos: bombas, agressões a juristas, prisões ilegais, tortura, atentado contra a OAB e a morte da mais graduada funcionária de seus quadros.

O avanço da impunidade desorganizava a sociedade e tentava trazer das trevas os espectros do regime militar, sedentos de poder e de sangue. Lyda não morreu em vão. A brava Ordem dos Advogados, ao se desdobrar na construção de um país novo e vivo, ao somar sua força à dos que lutam pela soberania popular, eleva o nome de Lyda Monteiro à nobre altura de uma bandeira fiel.

Fonte: Grupo Tortura Nunca Mais

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